
EGITO
Preso desde a Primavera Árabe, Mubarak pode ser absolvido. Irmandade Muçulmana reduz protestos que já mataram mais de mil pessoas
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O egípcio Hosni Mubarak pode ser posto em liberdade em breve, de acordo com seu advogado, a mídia estatal do Egito e funcionários de segurança do governo interino. Acusado de corrupção e cumplicidade de assassinato, Mubarak está preso desde 2011, quando foi deposto em meio aos protestos da Primavera Árabe no Egito.
Nesta segunda-feira, 19, o advogado de Mubarak, Farid el-Deeb, disse que o ex-ditador já foi absolvido de algumas acusações e que um tribunal autorizou a sua libertação. Segundo a mídia local, porém, Mubarak deve continuar preso por mais duas semanas antes que o general Abdul-Fattah el-Sisi, comandante do exército egípcio e atual presidente interino, se manifeste sobre o caso.
A decisão de El-Sisi quanto ao destino do ex-ditador, um militar aposentado, indicará como o atual governo militar vê o legado de Mubarak. Não está claro, porém, como a população egípcia — particularmente aqueles que apoiam o atual governo militar — reagiria à libertação de um desprezado autocrata cuja queda foi amplamente festejada.
Mubarak, 85 anos, governou o Egito por 30 anos, durante os quais o país foi mantido sob estado de emergência. Após sua queda, a Irmandade Muçulmana elegeu democraticamente Mohammed Morsi, deposto em 5 de julho por um golpe militar apoiado por parte da sociedade. O atual governo está considerando banir a Irmandade Muçulmana, o que empurraria o grupo de volta para a ilegalidade.
Desde o último domingo, 18, os protestos da Irmandade contra os militares diminuíram consideravelmente. Os manifestantes estão acuados pela forma brutal com que o exército e as forças de segurança vêm reprimindo os protestos. Desde a última quarta-feira, 14, mais de mil pessoas morreram e milhares ficaram feridas.
O governo de Israel começou uma campanha diplomática convocando líderes europeus e os Estados Unidos a apoiar o governo militar no Egito, argumentando que os militares são a única chance de paz para o país. Nesta segunda-feira, embaixadores de 28 países da União Europeia planejam se reunir para discutir a relação com o Egito e a violação aos direitos humanos no país.
