
Colunista da Folha discorda de escritora: "o argumento de que vai ficar caro e faltar emprego dissimula o velho pretexto econômico para impedir direitos e avanços sociais".
247 – Num duelo de opiniões, duas colunistas da Folha divergem sobre a nova legislação dos trabalhadores domésticos. Em artigo publicado nesta terça-feira na Folha, Eliane Cantanhêde rebate a posição da escritora Danuza Leão e defende a PEC: [o argumento de que "vai ficar caro e faltar emprego" dissimula o velho pretexto "econômico" para impedir direitos e avanços sociais.]
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Abolição da escravatura
A escravatura já tinha sido oficialmente abolida, mas minha bisavó e depois a minha avó foram cercadas de escravas. Até "ama de leite" o meu pai teve, antes de a usina ruir sob o peso das multinacionais e a família falir.
Essas escravas pós-escravatura eram as "crias". Matavam-se dias e noites na casa-grande, em troca de cama, comida e água fresca na senzala -pela qual deveriam ser muito gratas às sinhazinhas. Marina Silva sofreu na pele essa história.
Do outro lado da família, o urbano, minha mãe trabalhou desde sempre e fui criada por empregadas que vinham "do norte", não tinham onde morar e viravam "pessoas da família". Eram gratas por serem acolhidas, mas também mereciam gratidão por cuidarem dos filhos pequenos e tinham salário, direito de ir e vir, folgas nos fins de semana. Era pouco.