segunda-feira, 8 de julho de 2013

ESCÂNDALOS POLÍTICOS NA FRANÇA


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O presidente socialista Francois Hollande e seu rival e antecessor da direita, Nicolás Sarkozy (Reprodução/Internet)

Os principais beneficiários dos escândalos serão os extremistas

Novas revelações expuseram relações escusas tanto da direita como da esquerda

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François Hollande, o presidente socialista da França, prometeu um governo “exemplar”. Seu antecessor de direita, Nicolas Sarkozy,comprometeu-se a promover uma “república irrepreensível”. No entanto, novas revelações expuseram relações escusas tanto da direita como da esquerda. Em março o ministro do orçamento de Hollande, Jérôme Cahuzac, demitiu-se após mentir para o Parlamento sobre uma conta secreta em um banco suíço. Agora uma investigação sobre um pagamento de arbitragem de US$ 590 milhões para Bernard Tapie, um empresário francês, está se aproximando de um círculo que se encontrava no núcleo do poder do governo Sarkozy.
Os investigadores querem saber como esse caso terminou em uma arbitragem tão favorável. Tapie insiste que o processo de arbitragem foi realizado “nos conformes”, e não como um favor (ele apoiou Sarkozy em 2007). No entanto os investigadores elencaram 22 visitas de Tapie ao Palácio Elysée entre 2007 e 2009, de acordo com o jornal Le Monde, incluindo viagens para visitar Calude Guéant, o chefe de gabinete de Sarkozy.Ele também visitou Sarkozy três vezes em apenas um mês durante a campanha eleitoral. E agora sabe-se que Estoup, o juiz, tinha ligações com o advogado de Tapie, Maurice Lantourne, que foi interrogado na última semana. 
Tapie é figura conhecida dos meios políticos e criminais franceses. No passado já esteve no governo e na cadeia. Foi dono do time de futebol Olympique de Marselha. O caso a que se refere essa disputa é a venda da empresa Adidas, que lhe pertencia, pelo banco Crédit Lyonnais, em meados dos anos 1990, em condições que ele julgou desfavoráveis.
A carga política do caso é explosiva. O caso Tapie começou após pedidos de autoridades socialistas. A direita condena a caça às bruxas que mira a equipe de Sarkozy. No entanto, à medida que outros escândalos vêm à tona, é provável que os extremos políticos sejam os maiores beneficiados. Marine Le Pen, a líder de extrema direita da Frente Nacional, delicia-se em denunciar uma elite privilegiada. Em 23 de junho, após relegar os socialistas à terceira posição em uma eleição suplementar no antigo distrito eleitoral de Cahuzac, a Frente Nacional perdeu na rodada final para o partido de centro-direita UMP – mas apenas depois de conquistar 46% dos votos. Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia. Tradução: Eduardo Sá. Fontes: Economist - Tapping along.