sábado, 13 de junho de 2015

MPF se manifesta pela continuidade da prisão de João Vaccari Neto


Defesa do tesoureiro afastado do PT pediu à Justiça a revogação da prisão.
Vaccari é acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

Rodrigo Saviani e José ViannaDo G1 PR e da RPC

Compra de casa por irmão de João Vaccari Neto é investigada (Foto: Reprodução / TV TEM)João Vaccari Neto está preso desde abril
(Foto: Reprodução / TV TEM)
O Ministério Público Federal (MPF) se manifestou pela continuidade da prisão do tesoureiro afastado do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras revelado pela Operação Lava Jato.
Vaccari foi preso no dia 15 de abril durante a Operação Lava Jato, e ficou detido na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. No dia 26 de maio, ele foi transferido para o Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
No dia 22 de maio, a defesa de Vaccari pediu ao juiz federal Sergio Moro a revogação da prisão, alegando que foram respondidas todas as "dúvidas" da Justiça quanto as supostas acusações. Por este motivo, Moro intimou o MPF para se manifestar.
No documento encaminhado para o juiz, o MPF aponta que “João Vaccari Neto costuma se valer da participação de seus familiares para a consecução de suas atividades ilícitas”, e que “sua liberdade implica diretamente em risco à ordem pública”.
O MPF diz ainda que o afastamento de Vaccari do cargo de tesoureiro do PT “não justifica a revisão do decreto prisional”.
Vaccari prestou depoimento à Polícia Federal (PF), em Curitiba, na quinta-feira (11). A oitiva durou aproximadamente três horas. Segundo o delegado Igor Romário de Paula, ele foi questionado sobre "variados assuntos".
O advogado que representa Vaccari, Luiz D'urso, foi procurado pelo G1 por telefone para comentar sobre o caso, mas não foi localizado até a publicação desta reportagem.
Tesoureiro responde a duas ações
O tesoureiro afastado responde a duas ações na Justiça Federal do Paraná por corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em uma delas, ele é acusado de intermediar doações eleitorais ao PT que somam R$ 4,26 milhões, fruto de propinas pagas por empreiteiras contratadas pela Petrobras.
A acusação relata ainda que o diretor da Camargo Corrêa Eduardo Hermelino Leite disse ter sido procurado por Vaccari em 2010 para fazer doações eleitorais com recursos de propinas, mas os repasses ainda estariam pendentes. A defesa de Vaccari nega as acusações e diz que todas as doações feitas ao PT são legais e declaradas à Justiça.
Na outra ação em que é réu na Justiça Federal, Vaccari é acusado por 24 atos de lavagem de dinheiro, que totalizam R$ 2,3 milhões. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), essa quantia seria decorrente de parte da propina paga pelo grupo Setal ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque, para fraudar licitações da estatal.
Habeas corpus negado
Ainda em maio deste ano, o ministro Newton Trisotto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou um pedido de liberdade de João Vaccari Neto.
No pedido, os advogados do petista alegaram que sua prisão se baseou em declarações falsas do doleiro Alberto Youssef, do ex-gerente Pedro Barusco e do empresário Augusto Ribeiro, todos investigados pela operação Lava Jato e que aceitaram colaborar com as investigações em troca de redução de pena.
Na decisão que negou liberdade, Trisotto também considerou que a prisão preventiva visa a evitar novos crimes, novos prejuízos à Petrobras e para preservar a investigação e o próprio processo judicial.